(...)
As palavras já não saem da minha boca. É como se um novo sentimento se apodera-se de mim. Indiferença, és tu ? Deixo a pergunta no ar.
O cheiro do tabaco entranha-se na minha pele á medida que acordo.Quem é ela ? Onde estou ? Nada disto parece ter resposta na minha cabeça. Volto a olhar em volta.. Não conheço este quarto.
A rapariga, morena e alta move-se da janela para perto de mim - Como estás ? - pergunta. Não respondi. Levantei-me zonza e arrastei-me para a casa de banho. O meu corpo pesava tijolos, sentia-me fraca..
Liguei a agua do chuveiro, fria para acordar e senti um arrepio pela espinha. A medida que a água passava pelo meu corpo, pequenos flashes passavam também pela minha cabeça. 5.30 da manhã, Lisboa, ano novo. Lavei o cabelo, peguei numa toalha e saí da casa de banho.
A rapariga estava agora deitada na cama - adormeceu - achava eu.
Peguei na roupa, minha, que estava pousada em cima da cadeira e vesti-me. Cheguei perto da janela para ver a vista. É uma cidade bonita. O sol brilhava e o calor fazia-se sentir. Senti-me um pouco mais aliviada, mas no fundo, sentia-me perdida.
Aquele perdida quando sabes onde estas, mas parece que não é lá que pertences.
Olho em volta, gosto do que vejo.. Os meus olhos voltam a parar na rapariga.
É morena, alta, tem um corpo bonito, cabelo encaracolado. Linda.
Sento-me na beira da janela e pergunto-me porque não aproveito tudo isto.
Visto o casaco, os sapatos e pego num papel - "Desculpa, não consigo. Adeus Sara".
Deixo-o na mesinha de cabeceira, junto com telémovel dela.
Saio do quarto, da casa e sinto o sol bater-me na cara.
Sim, Sara era o nome dela.
(..)
/V
Sem comentários:
Enviar um comentário